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26 de setembro: Dia Nacional dos Surdos

Publicado: Segunda, 28 de Setembro de 2026, 10h52 | Última atualização em Segunda, 28 de Setembro de 2026, 12h38

Libras, identidade e educação

O dia 26 de setembro marca, no Brasil, o Dia Nacional dos Surdos, uma data de valorização das pessoas surdas, de suas trajetórias, lutas, línguas, identidades e formas de participação na sociedade.


Professor do Ifes Edgar Alvarenga Simões.

Mais do que uma data comemorativa, o Dia Nacional dos Surdos convida a refletir sobre o direito à educação e os avanços das políticas de Educação Bilíngue de Surdos no Brasil, que reconhecem a Libras como língua de instrução, interação, comunicação e ensino. Nesse contexto, a data também reafirma a importância da valorização da Libras, da acessibilidade linguística, do respeito às diferentes identidades e experiências das pessoas surdas e, especialmente, de seu protagonismo nos espaços em que conhecimentos, práticas e políticas são construídos.

Para marcar a data, o Napne/Cefor convida o professor e servidor surdo Edgar Alvarenga Simões a compartilhar um pouco de sua trajetória e suas percepções sobre educação, Libras, comunidade surda e os caminhos que ainda precisam ser construídos para ampliar o protagonismo das pessoas surdas dentro e fora das instituições educacionais.

Para além da sala de aula: quem é Edgar?
Antes da atuação profissional como docente e servidor público no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), existe uma trajetória pessoal repleta de histórias, aprendizados e momentos em família. Edgar destaca a importância de enxergar o indivíduo em sua totalidade:

"Sou uma pessoa que gosta de aprender, conhecer pessoas e ter experiências diferentes. Gosto muito de estar com meus filhos, passear, fazer exercícios, viajar e aproveitar meus hobbies. Ser professor surdo e servidor público é uma parte muito importante de quem eu sou, mas não representa tudo. Antes de ser profissional, sou uma pessoa com histórias, sonhos, sentimentos, desafios e muitos aprendizados".

A relevância do 26 de setembro

Para a comunidade surda essa data remete à criação, em 26 de setembro de 1857, da primeira instituição brasileira voltada à educação de pessoas surdas, no Rio de Janeiro. A instituição é hoje o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Data que carrega a memória de conquistas históricas, mas também serve como um alerta constante sobre as barreiras que ainda precisam ser superadas no cotidiano institucional e social.

"O 26 de setembro é um momento para reconhecer as conquistas, a língua, a cultura e a identidade das pessoas surdas, mas também para lembrar que ainda existem desafios relacionados à acessibilidade e à participação social. É importante que a sociedade compreenda que as pessoas surdas têm direito de participar de todos os espaços com autonomia, respeito e igualdade de oportunidades".

A diversidade da comunidade surda: multiplicidade de perfis

As pessoas surdas não formam um grupo homogêneo. Há multiplicidade nas formas de comunicação, identidades e escolhas linguísticas — desde pessoas sinalizantes até oralizadas, usuárias de tecnologia assistiva, como implante coclear ou aparelhos auditivos.

"A comunidade surda é muito diversa, e não existe uma única maneira de ser surdo. É fundamental respeitar as escolhas e as características de cada pessoa, sem criar um padrão de como uma pessoa surda deve ser. As instituições também precisam oferecer diferentes possibilidades de acessibilidade e respeitar a autonomia de cada indivíduo".

Libras como Direito Linguístico

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é elemento central no acesso ao conhecimento e ao pertencimento. No entanto, Edgar enfatiza que uma instituição inclusiva exige ações que vão além da presença do tradutor e intérprete.

"A Libras é muito mais do que uma forma de comunicação: é uma língua que possibilita acesso ao conhecimento, às relações sociais e à participação. Para uma instituição ser realmente acessível, é preciso ir além da presença do intérprete. É necessário pensar em comunicação, tradução de materiais, eventos, atendimento, ambientes digitais e, principalmente, criar uma cultura institucional em que a acessibilidade seja responsabilidade de todos".

Mensagem para a comunidade do Ifes

A ocupação de cargos como professores, pesquisadores, gestores e servidores por pessoas surdas transforma o ambiente acadêmico, fomenta a representatividade e rompe com estigmas históricos.

"Ver pessoas surdas como professores, pesquisadores, servidores, gestores e produtores de conhecimento é reconhecer que elas também são protagonistas e têm muito a contribuir para a sociedade. A presença de pessoas surdas nesses espaços ajuda a combater preconceitos e também transforma a própria instituição".

Ao encerrar, o professor deixa um convite a toda a comunidade acadêmica para este 26 de setembro:

"Que o Ifes continue avançando para ser um espaço cada vez mais inclusivo, onde as pessoas surdas possam participar, contribuir e ocupar todos os espaços".

Equipe Napne/Cefor

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