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Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência

Publicado: Segunda, 21 de Setembro de 2026, 11h39 | Última atualização em Segunda, 21 de Setembro de 2026, 12h31

Setembro reúne datas que convidam à reflexão sobre direitos, acessibilidade e inclusão. Em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, ao Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro, e ao Dia Internacional da Tradução, em 30 de setembro, o Napne/Cefor bate um papo e apresenta a trajetória de Bárbara Eloah Lopes, tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa. Essa conversa propõe uma reflexão sobre protagonismo, participação social e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para a construção de uma sociedade mais inclusiva e sem barreiras.

Bárbara Eloah Lopes, tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa.Bárbara integra atualmente a equipe de tradutoras e intérpretes de Libras do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância (Cefor), atuando junto à Coordenadoria Geral de Tecnologias Educacionais (CGTE).

É bacharela em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa pelo curso de Letras-Libras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e técnica em Tradução e Interpretação de Libras pela Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (Sedu-ES). Sua trajetória profissional reúne experiências em contextos educacionais, culturais, institucionais e comunitários.

Sua atuação também se estende à pesquisa e às discussões sobre linguagem e acessibilidade. Bárbara integra o Círculo de Estudos Indisciplinares com Línguas de Sinais (Ceilis) e o grupo de pesquisa LingCognit: Língua(gem) Cognição: Interfaces Tradutórias e Interpretativas, além de participar da Comissão de Acessibilidade da Ufes.
A partir de sua trajetória e de suas experiências, Bárbara compartilha reflexões sobre deficiência, acessibilidade, participação e sobre a importância de pessoas com deficiência ocuparem também os espaços de trabalho, pesquisa e produção de conhecimento.

Mas sua história não se resume ao currículo profissional e acadêmico. As diferentes formas de linguagem também atravessam seus interesses pessoais. Bárbara pinta quadros, toca teclado, violão e ukulele e encontra na música, no cinema e na leitura outras possibilidades de expressão.

“Essas atividades fazem parte do meu cotidiano e ampliam minha percepção sobre diferentes formas de comunicação, expressão e produção de sentidos”, conta.

Da presença ao protagonismo

Nas últimas décadas, o debate sobre deficiência tem avançado da compreensão centrada apenas no indivíduo para uma perspectiva relacionada aos direitos, à cidadania e à participação social. Para Bárbara, esse movimento tem contribuído para ampliar as discussões sobre acessibilidade e sobre a eliminação das barreiras que impedem ou limitam a participação das pessoas com deficiência.

Os avanços, entretanto, convivem com desafios que permanecem no cotidiano.

Bárbara Eloah Lopes, tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa.“A pessoa com deficiência ainda é, muitas vezes, invisibilizada pela sociedade ou, quando percebida, colocada em lugares marcados pelo capacitismo e pela infantilização.”

Superar essas barreiras envolve reconhecer pessoas com deficiência em sua integralidade: como pessoas que estudam, trabalham, pesquisam, ensinam, constroem relações, constituem ou não famílias, envelhecem e fazem escolhas sobre as próprias vidas.

“Somos pessoas como quaisquer outras e, portanto, também temos o direito de fazer escolhas sobre nossas vidas”, afirma Bárbara.

Essa compreensão também modifica a forma de pensar a acessibilidade. Rampas, elevadores e adequações arquitetônicas são fundamentais, mas não esgotam o tema. Há barreiras comunicacionais, pedagógicas, tecnológicas, atitudinais e institucionais que também precisam ser consideradas.

Por isso, mais do que ações isoladas ou concentradas em determinadas datas, Bárbara defende que a inclusão deve fazer parte do planejamento cotidiano das instituições.

 

Pessoas com deficiência também produzem conhecimento

A presença das pessoas com deficiência nos espaços educacionais e profissionais não pode se restringir à condição de público atendido pelas políticas de inclusão.
Elas também são servidoras, profissionais, pesquisadoras, bolsistas, estudantes, professoras, gestoras e produtoras de conhecimento.

Para Bárbara, ocupar esses lugares amplia a participação social e, ao mesmo tempo, contribui para transformar as próprias instituições.
“A diversidade de experiências permite identificar barreiras que muitas vezes não são percebidas por quem não vivencia a deficiência.”

Bárbara Eloah Lopes, tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa.Quando pessoas com deficiência participam da pesquisa, do ensino, da gestão e dos espaços de decisão, diferentes experiências passam a fazer parte da construção das políticas, dos serviços e das práticas institucionais.

É nesse deslocamento — de uma lógica que apenas reconhece a presença para outra que garante condições efetivas de participação — que está um dos principais desafios apontados por Bárbara.

Acessibilidade se constrói todos os dias

O 21 de setembro é uma oportunidade para dar visibilidade às lutas históricas das pessoas com deficiência. Para Bárbara, contudo, a reflexão não pode terminar quando setembro acabar.

"Acessibilidade e inclusão não devem ser compreendidas como concessões ou favores, mas como direitos fundamentais e condições necessárias para a participação em igualdade de direitos na sociedade. A pessoa com deficiência não deve ser lembrada apenas em setembro ou no dia 3 de dezembro. Essa reflexão precisa fazer parte do cotidiano, das decisões e das práticas da sociedade durante todo o ano."

Mais do que permitir que alguém esteja presente em determinado espaço, acessibilidade significa criar condições para que possa participar, decidir, se comunicar, aprender, trabalhar, produzir e exercer sua autonomia.

Isso também passa pela compreensão da equidade: pessoas diferentes podem precisar de condições diferentes para que tenham oportunidades efetivas de participação.

Ao reunir o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, em 21 de setembro, e o Dia Internacional da Tradução, celebrado em 30 de setembro, a trajetória de Bárbara também lembra que comunicação e acessibilidade caminham juntas.

Bárbara deixa um convite que ultrapassa as datas comemorativas:

“Que possamos avançar de uma perspectiva que apenas reconhece a presença da pessoa com deficiência para uma perspectiva que garanta sua participação, autonomia e protagonismo.”

Porque uma sociedade sem barreiras não se constrói somente falando sobre inclusão. Ela se constrói quando diferentes pessoas podem, de fato, estar, participar, escolher e ocupar seus espaços.

Equipe do Napne/Cefor

Bárbara Eloah Lopes, tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa.

Todas imagens foram cedidas pela tradutora e intérprete de Libras e Língua Portuguesa Bárbara Eloah Lopes.

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